sábado, 10 de agosto de 2013

o tempo

a culpa da minha ansiedade é toda tua. quero inverter a cronologia das coisas e chegar logo ao final. quero ver se encontrei aquele amor para vida toda, se ele me amou cada dia mais. quero saber como foi o dia do nosso casamento e se nos continuamos a olhar com aquele olhar da primeira vez. quero saber que cara tiveram os nossos filhos e quantos foram os filhos a quem eu tive que ensinar a andar. mas tu faz-me esperar tanto. quero saber quanta sabedoria acumulei e se alguma vez a minha mãe deixou-me fazer aquela viagem que eu tanto queria. mas tu não me dás qualquer chance, deixas-me na angustia por não saber o próximo capitulo deste livro. e é por isso que eu te culpo. quero saber se fui feliz para sempre, se valeu a pena o esforço e a dor. quero saber se comi aquele bolo de chocolate que nunca tenho coragem de comer ou se lancei um disco das minhas musicas de chuveiro. quero saber se encontrei, pelo menos metade, das respostas que procurei, ou se continuei uma questionadora incansável. sabes o que é que eu quero saber também? quando é que tu aceleras o passo e adiantas os teus ponteiros e deixas-me ver se deu tudo certo ou não. quero saber quantas pessoas ficaram comigo e quantas não. quero saber quantas coisas deixei inacabadas, quantos medos eu ganhei ou superei. e o medo do escuro? será que o deixei? podias-me adiantar uns dias só para eu saber qual o gosto do amanhã. quero saber quantas rugas eu ganhei nos meus olhos e quantas lágrimas também. quero saber se consegui, finalmente, dormir bem e colocar a felicidade no lugar da frustração e se algum dia eu tive coragem de tirar os sonhos da almofada. quero saber. mas tu continuar o teu caminho e como tu andas devagar (...) eu não tenho pressa em envelhecer, eu só queria ir até ao fim e voltar. só para acabar com a ansiedade e saber se correu tudo bem.

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